Indústria descobre que reusar água dá dinheiro

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Que a redução do uso de água na cadeia produtiva gera economia, todo mundo sabe. Mas o que os empresários vêm descobrindo é que é possível ganhar dinheiro com a reutilização do recurso hídrico gasto na produção industrial — seja pelo redirecionamento da água já usada em outras atividades da cadeia, seja pela venda de esgoto tratado para a indústria. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o nível de reúso da água nos 12 principais setores industriais do país chega a 97%.

As ações mais avançadas se concentram nas indústrias automobilística, petroquímica (com destaque para a Petrobras) e de alimentos e bebidas. As ações vão desde o uso da água consumida na produção para lavagem de piso e descargas dos sanitários, até a adoção de sistemas de canaletas para captação de chuva.

O gerente executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Shelley Carneiro, os empresários estão procurando soluções para amenizar seus impactos junto ao ambiente. “Não só porque ser sustentável garante uma posição diferenciada no mercado, mas porque a preocupação com o a gestão adequada do recurso hídrico tem um valor econômico. Eles têm consciência desse retorno nas contas, que vêm a curto prazo”, diz.

De acordo com o executivo, o aumento da sensibilidade dos industriais se deve, também, ao esgotamento dos recursos hídricos existentes, o que vem limitando a a fixação de fábricas em certas regiões do país. “Há lugares em que as indústrias mudaram por não terem condições de atuar. Como na região do Rio Doce, entre Minas Gerais e Espírito Santo, e no Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul”, exemplifica.

Uma das ações vistas como de vanguarda pela CNI para o gerenciamento dos recursos hídricos é o projeto Aquapolo Ambiental. Por meio de uma parceria entre a Odebrecht Ambiental e a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), o esgoto tratado é vendido para o Polo Petroquímico de Capuava, em Mauá (ABC paulista), que utiliza o recurso no resfriamento das caldeiras.

Em média, são fornecidos 650 litros de água de esgoto por segundo, volume equivalente ao consumo de água potável de 350 mil moradores. O fornecimento para a indústria está garantido por contrato de 41 anos, a um preço 70% mais barato.

Essas e outras iniciativas serão discutidas hoje no Rio de Janeiro na primeira edição do seminário CNI Sustentabilidade, um ciclo de debates anual que reunirá empresários do setor industrial para discutir o uso racional e a conservação dos recursos naturais. Neste ano, o evento tem a água como tema e traz o diretor do Projeto Água do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), o holandês Joppe Cramwinckel. A instituição internacional é representada no Brasil pelo Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Fonte: Portal IG Economia

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